História
O maior centro cultural do Estado do Ceará
Construído em uma antiga área portuária de Fortaleza, o CDMAC possui 14,5 mil metros quadrados de área total, onde abriga equipamentos como o Museu da Cultura Cearense, o Museu de Arte Contemporânea do Ceará, o Planetário Rubens de Azevedo, o Teatro Dragão do Mar e o Cinema do Dragão, além de espaços como a Biblioteca Leonilson de Artes Visuais, o Anfiteatro Sérgio Motta, a Multigaleria, o Auditório, a Arena Dragão do Mar, o Espaço Rogaciano Leite Filho e a Praça Verde, onde também são realizadas as mais diversas ações culturais.
A arquitetura do Centro Dragão do Mar se caracteriza por linhas arrojadas, concebidas pelos arquitetos cearenses Delberg Ponce de Leon e Fausto Nilo. Inaugurado em 28 de abril de 1999, na antiga área portuária da Praia de Iracema. Nos espaços do centro cultural também há cafés, livrarias e lojas de artesanado. Nas suas proximidades, há bares, restaurantes e outros espaços de arte e cultura, como o Centro Cultural Porto Dragão, a Escola Porto Iracema das Artes e a Biblioteca Pública Estadual (Bece), equipamentos da Rede Pública, e a Caixa Cultural.
Vocações e campos de atuação
Com mais de um milhão de visitantes por ano, o CDMAC está consolidado como um dos mais relevantes espaços de arte e cultura do nosso estado e como um dos principais pontos turísticos do Ceará. No dia 28 de abril de 2024, o CDMAC completou 25 anos dedicados à arte, à cultura e ao pensamento, lugar do encontro e da valorização da pluralidade. Tem como propósito a democratização do acesso à cultura por meio da oferta de uma programação potente, reafirmadora da força cultural e artística do Ceará. Cerca de 90% da programação do Centro Dragão do Mar tem acesso gratuito ou preços simbólicos, com o objetivo de formar plateia nas diversas linguagens artísticas.
Quem foi Dragão do Mar
Liberdade. A palavra de ordem dos idos de 1800, no Ceará, também nomeia a jangada que pertencia Francisco José do Nascimento, o Chico da Matilde. A jangada foi levada à capital do Império a bordo de um navio mercante, como símbolo da resistência popular abolicionista nas terras de Alencar. O líder dos jangadeiros cravou seu nome na história como o lendário Dragão do Mar, deflagrando a greve dos seus companheiros. Sua ousadia e coragem paralisaram o mercado escravista no porto de Fortaleza nos dias 27, 30 e 31 de janeiro de 1881. Chico, filho da Matilde tinha, então, 42 anos.
Boa parte dos livros de História omite que outros ancoradouros e até mesmo esparsas lideranças da elite econômica do Estado tomaram posição idêntica e interromperam o fluxo de escravos em suas regiões e nas fronteiras com outras províncias do Nordeste, como nos conta a História do Ceará,organizado pela socióloga Simone de Souza (p.179). Antes e depois da greve que eternizou o Dragão do Mar, movimentos libertários como a “Sociedade Perseverança e Porvir”, a “Sociedade Cearense Libertadora” e jornais como o Libertador se destacam pela luta contra a escravidão. Mas foi a firmeza do mulato jangadeiro Chico da Matilde que ultrapassou os limites da província e alcançou o Império, mostrando a força da resistência nordestina que consagrou o maior herói popular da história abolicionista do Ceará.
O Dragão do Mar é filho de Canoa Quebrada, Aracati. No dia 15/04 de 1839, o pescador Manoel do Nascimento e dona Matilde Maria da Conceição receberam com alegria o filho Chico. Poucos anos depois, aos oito anos, Chico perde o pai e vai morar com outra família. Aos 20, aprende a ler. Torna-se chefe dos catraieiros (condutores de bote), trabalha na construção do porto de Fortaleza, é marinheiro, e finalmente é nomeado prático da Capitania dos Portos. Com a deflagração da greve, em 1881, é demitido. Três anos depois, com a libertação dos escravos, Chico da Matilde leva a embarcação Liberdade no barco negreiro Espírito Santo para o Rio de Janeiro. Mas a Liberdade ganha asas e toma rumo incerto. O jornalista catarinense Raimundo Caruso, conta original versão nas páginas do seu livro Aventuras dos Jangadeiros do Nordeste:
“A jangada Liberdade, de Francisco José do Nascimento, era a clássica, de troncos. Símbolo de uma resistência popular vitoriosa no Ceará, foi levada à Capital do Império a bordo de um navio mercante e, mesmo viajando no porão, inaugura a rota das futuras aventuras dos jangadeiros nordestinos em direção ao Sul. A embarcação foi exibida nas ruas do Rio de Janeiro, sob os aplausos da multidão, e pouco depois é doada ao Museu Nacional, onde foi recebida como valiosa peça etnográfica (…). Em seguida a jangada foi transferida para o Museu da Marinha (…), de onde, queimada, feita em pedaços ou desmontada, desapareceu”.
Até hoje não se sabe o destino da Liberdade, que uniu cearenses e permanece no imaginário de todos como a vitória concreta da solidariedade entre as raças, credos e timbres, do sertão ao litoral. Ao lado da vela, a imagem guerreira e emblemática do Dragão do Mar.
